sábado, 7 de junho de 2014

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       Quando o choro não é suficiente, o sofrimento procura saídas que não cabem no que nos pertence. Suas tramas se findam na angústia que faz-se firme, e ferve, queima. Quando a dor da carne nem alcança as lamúrias da alma, descobre-se então o quão intenso é o sofrimento desperto na existência. Vive na ênfase ofegante de querer mostrar-se, desperta a certeza de que não há um fim, ou de que vive-se apenas os restos de um final. As sobres corroem, cospem e não aceitam a ponta de uma mísera felicidade. A dor que não esconde o prazer que lhe rege, nem muito se perde pra deixar de doer. Aceita ser sentida sem cautela, esvaindo-se no que nem lhe pertence, mas é o que lhe resta, e só por isso dói.

1 comentários:

Poeta da Colina disse...

A dor é algo que se agarra tanto quanto o amor.

As lágrimas são um desejo de sair, abri mão é atitude.

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