domingo, 21 de abril de 2013 11 comentários

O Eu que partiu



 Perdi-me depois de sua partida. As esperanças tidas quando ele aqui ainda permanecia foram levadas dentro dos amontoados embrulhos postos numa mala pequena que carregava às pressas durante a indesejada viagem.
Perdi-me. Talvez ele tenha me levado, ou talvez me jogado entre as estradas tantas que fizeram parte de seu itinerário.
 Desconheço o motivo de sua partida. Foi sem ao menos justificá-la. O adeus foi sua única resposta quando intrometi-me em, junto aos prantos, perguntar-lhe um porquê. Queria apenas um motivo, mesmo que fossem cobertos por mentiras. Só para dar-me o prazer de crer que ainda eu lhe teria um pouco de importância.
 Ele se foi pelas vastas estradas, sem deixar vestígios, ou esperanças de uma volta. Levou-me junto, talvez pelas cartas onde doei-me às palavras e me pus a escrever os tantos versos jurando o amor que nunca neguei ter. Talvez pelos retratos que roubou de meu álbum e depois os encontrei dentro de sua carteira.
 De qualquer forma, levou-me. Só espero que não me tenha jogado durante sua viagem. Só espero que, de mim, ainda tenha restado alguma lembrança, por mais que eu não acredite em sua volta. Por mais que eu não o queira de volta.
 Só espero reconstruir-me e ocupar, de alguma forma, a ausência deixada pela sua partida. E espero.
 
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