sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013 11 comentários

Em mim

Cá estou eu, neste ínfimo espaço que me prende em mim, nas incompletudes distantes de serem inteiras, nos vão que me devolvem, nos estreitos espaços que me levam.
Sou o caos que habita em mim, sou as saudades que procuram por encontros e os encontros que procuram por saudades. 
Sou deserto. Solidão. Espaço inabitado, porém, cheio demais para caber alguma coisa. 
Sou o grito do desassossego, o grito que se faz silêncio. O silêncio que se faz som.
Sou desencontro, parto procurando por mim, mas não me encontro. Me perco em cada partida. Sinto saudades minhas.
Sou o segredo guardado nos enclausuros  do ser que ainda me resta. Nunca soube o que sou, nunca me interessei em dizer. 
Sou o que nunca fui e, fui querendo ser alguma coisa, vivendo na real-idade que me prende e procurando a liberdade que me faça ser. 

 
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