sábado, 18 de agosto de 2012 13 comentários

As escolhas que faltavam



 Estava tentando se encontrar em meio a tantas dúvidas que lhe cercavam, não sabia mais para onde ir, queria seguir em frente e ao mesmo tempo voltar para o início, de onde ela tinha vindo, e ficar, desistir de tudo. 
 Não queria mais levar uma vida em que o personagem principal de sua história não seria ela, havia se cansado de dizerem aquilo que para ela poderia ser melhor, então resolveu desacomodar-se, ir atrás de novas conquistas, buscar outros lugares. Mas estava em dúvidas sobre o que queria, se perdeu pelo caminho enquanto fugia daqueles que comandavam sua vida. Fugiu tão depressa que acabou esquecendo o que para ela poderia ser felicidade. 
 Tentou buscar no passado as respostas que pudessem lhe ajudar naquele presente inseguro, mas não encontrou nada, nenhuma lembrança, nenhuma resposta para aquelas tantas perguntas. - O que mais restaria em uma menina sem sinas, sem rumos que a fizessem seguir em frente? - O medo aproveitou seu momento de fragilidade e nela se hospedou sem pedir permissão, fazendo com que as esperanças sumissem sem que ela desse conta, dando lugar a mais inseguranças que agora se tornavam bem maiores, deixando-a parada naquela encruzilhada, onde os caminhos estavam postos, só lhe restava escolhe-los. Então parou e pensou mais uma vez em tudo que havia vivido, nas pessoas que escolheram aquilo que ela conseguiu ter. Lembrou dos poucos sorrisos. Alegrias efêmeras que vinham vez em quando. Vida compartilhada por muitos, onde de segredos não tinha nada. Corpo desajeitado. Mente confusa. Era ela e seus avessos. Um corpo e uma alma procurando as respostas que na dúvida se escondiam. Buscou no que já havia vivido mais uma vez o que lhe traria a chance de retomar os seus passos e finalmente encontrar o que tanto queria. Mas não queria nada.  
 Talvez fosse o medo que amarrava seus pés, sem deixá-la sair dali, parada, em meio a tantas perguntas que insistiam por respostas. Já não queria voltar para o que era antes, mas ela não tinha mais como voltar. As pessoas  que antes fizeram parte de sua vida talvez nem saibam mais de sua existência. O tempo passou muito depressa, enquanto ela, não. Não seguiu o compasso das horas, seu tempo era outro, e andava bem devagar. Infelizmente as horas não pôde obedece-la, as chances de encontrar outros caminhos iam se perdendo pelo tempo. E dela só restava a vontade de sair daquele lugar onde havia passado anos.
 As lágrimas que saiam de seus olhos eram constantes. Ela chorava os excessos que tanto a incomodava. Chorava a duvida. O arrependimento de não ter tomado antes suas decisões. Chorava as contradições. 
 O tempo passava cada vez mais rápido, deixando-a sempre de lado, seu corpo já não suportava seguir as regras das horas. Mas sua alma ainda tinha sede de realizações, só que agora, com destinos que a fizessem, finalmente, dar os passos que a tanto tempo esperavam por caminhos. Então, procurou seguir as escolhas que foram encontradas no futuro que agora teria chegado, mas havia esquecido que seu corpo que envelhecia com o tempo não suportava muita coisa. Suas escolhas teriam que respeitar a idade que lhe impossibilitava fazer certas realizações. Mas quis aproveitar o que ainda tinha, com escolhas menores que simplesmente a fizessem desamarrar o medo de seus pés que a muito tempo teria lhe impedido de sair do lugar. E foi, na simplicidade de apenas querer ir, sem saber se conseguiria chegar. Mas foi. 



 
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