domingo, 29 de julho de 2012

O que já se foi


 Em uma tarde onde o sol estava coberto por nuvens acinzentadas que ofuscava o brilho daquele dia de primavera, estava ela, com cabelos longos que cobriam as costas, um vestido que escondia a fragilidade de seu corpo e uma alma inquieta que parecia até maior que ela. Sentada em uma calçada qualquer em uma rua onde ela nunca tinha visto antes, estava perdida no tempo, se encontrando nas lembranças e se prendendo nas saudades. Distante das pessoas, dos amigos, da família, preferia refugiar-se na solidão indo em lugares em que ela desconhecia, rodeada por pessoas que não sabiam o que dentro dela se escondia. Sempre gostou de viver assim, sentada em calçadas, em lugares diferentes que não sabiam nada de sua história. Naqueles tantos lugares se acomodava, esperando a chuva que vinha vez em quando, trazendo as lembranças que nela se hospedava. 
 Seus desejos eram muitos, queria reencontrar-se com o passado que distanciava dela a cada dia que passava. Quis chegar onde não mais podia, quis de volta quem já não estava presente. 
 Sentada naquele lugar sombrio onde a noite chegava junto com a chuva que ela tanto esperava, misturou as lágrimas que vinham de seus olhos com as que vinham das nuvens que pareciam chorar com ela. Entristeceu-se  por o tempo não obedecer suas preces, por ele não trazer de volta o que havia retirado de suas mãos. Pudera ele trazer aquele que era sua maior felicidade, mas não. O que restava era ter que descobrir no futuro que lhe esperava uma outra felicidade que pudesse trazer os sorrisos que não existiam mais em seu rosto. Mas não quis livrar-se do passado, muito menos procurar felicidades por aí. 
 Se alimentava de ausências que a preenchia sem dar espaço para mais nada dentro dela, e assim as  cultivava, fazendo com que crescessem cada vez mais. Cultivava-as como cultivava as flores dos jardins que ela encontrava pelas casas onde passava. 
 Vivia assim, sentada em calçadas frias que guardavam seus segredos deixados pelas lágrimas que nelas caiam e regando as lembranças que jamais foram esquecidas.



#conto

13 comentários:

Jânio Medeiros (MEDEIROS, J E) disse...

EMOCIONANTE... Parabéns pelo conto.

Anônimo disse...

Que lindo!Amei!adoro contos!
Parabens!



dirlene

Lailson Guedes disse...

Parabéns, texto muito lindo!

woops! disse...

Gostei mto do seu blog *-* das postagens, do estilo, de tudo, tá muito bom, continue assim e parabéns. beijos pra vc, irei voltar aqui algumas vezes para ver suas postagens *-*

http://souumamendoboba.blogspot.com.br/

Macaco Pipi disse...

Não sei o motivo, mas me lembrou conversas entre amigos que não se encontram mais...


http://www.ziqzira.com.br/

Guilherme Augusto disse...

Lendo este texto e ouvindo Dry County foi bem legal... mesmo a letra da música não tendo muito a ver com o tema... :)

@LisiOestraich disse...

Olaaa amoree, mtmtto obg!
mtmtto sucesso pra ti!
ja estou seguindo *------------------*
http://blahoestraich.blogspot.com.br

Natália Cavalcante disse...

Lindo !

Cafajeste Sedentário disse...

Interessante o conto,o personagem da margem para algumas interpretações(isso é essencial para que um conto seja bom) . Na minha concepção a personagem é dessas pessoas que tiveram um passado dificil e ainda não superaram os traumas prefirindo viver na penumbra. Bem,foi o que me pareceu hehe. Vou ler outros textos e seguir teu blog. Em breve faço novas visitas

Débora Cândido disse...

Para cada um, um significado diferente.

Abraão Braga disse...

Nossa hein moça,seu blog é muuuuito lindo mesmo! parabéns,gostei,lindos textos,e me apaixonei pelo designer,um caderno e os detalhes todos,pode ter certeza que irei voltar aqui sempre que tiver um tempinho!

lilian querida disse...

muito legal a postagem

Fernanda disse...

Lindo! Adorei.
Sucesso com seu blog, estou te seguindo! :)

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